Crônica - A sensibilidade Proletária - Manoel Messias Pereira
A Sensibilidade Proletária
O sistema capitalista é aquele em que vivemos e que temos na grande maioria dos países, voltado na luta competitiva do mercado, da exploração de um ser pelo outro, na busca do aprofundamento das desigualdades sociais. É um sistema que teve o seu inicio na Europa, com a decadência do sistema feudal. Foi um momento em que houve o aumento da produção e a explosão demográfica, e um fenômeno que acompanhou todo esse processo, foi que a Europa teocêntrica passa a enfrentar um processo cultural em que todo o arsenal ideológico católico, começa a ser questionado pela visão antropocêntrica. Assim vimos o desenvolvimento do setor urbano os desenvolvimentos econômicos de todas as atividades sejam elas, primárias, secundárias, terciárias e quartenárias. E isto é de suma importância, pois temos o princípio da ascensão burguesa, que pagava aos reis os impostos e os mesmos passaram a ter poderes absolutos.
Com o tempo essa classe burguesa, observa a necessidade de manter o poder político, além do poder econômico, pois a ideia do poder absolutista já não passava, no contexto do desenvolvimento social. E para tanto a burguesia usou o pensamento iluminista, nascida da "cabala judaica", ou seja aquele que faz a luz, permanece nas sombras. E isto vem junto com a dinâmica do desenvolvimento liberal e da chamada Revolução Científica, quase paralela a Revolução Industrial. Pois se antes tínhamos o trabalho quase manual, e depois artesanal vimos surgir a classe burguesa como donas dos meios de produção. Portanto se antes o trabalhador tinha a sua própria ferramenta, com o surgimento da putting -out, ou as chamadas fábricas domésticas, vimos que começa a estruturar uma nova classe social, e o aparecimento dos jornaleiros as pessoas que vem para a cidade a praticar o serviço por uma jornada. E em seguida as pequenas fábricas são compradas por outras de maior parte. E assim acabamos de ver nascer a classe burguesa, que vai ampliando-se, e monopolizado tudo. Com o desenvolvimento da revolução científica, há uma necessidade de valorização, da química, da biologia, da física e nela a ótica e a mecânica. E com isto vimos o desenvolvimento das máquinas sempre com a intenção de produzir mais e mais rápido, elaborando um estoque de produtos para os patrões. Além disto a classe burguesa passaram a ter novas fontes de energia e passou a ser a detentora da tecnologia. E assim quem ganhou com isto, foi ela a classe burguesa.
A classe burguesa monopolizada, passa a possuir as terras como sua, a matéria prima encontrada na natureza como sua, passa a ter um mercado, pois tem um estoque, tem as máquinas, tem equipamentos, as novas fontes de energia e passam também a ser dona dos valores a ser pagos para os empregados, aqueles que possui apenas a sua força de trabalho.
E assim nasce a forma de exploração de um ser humano por outro. E esse ser trabalhador explorado, trabalha até 16 horas diárias num contexto em que a riqueza favorece sim os patrões, que passa a pagar salários irrisórios para manter os trabalhadores em suas mãos. E aí neste contexto que vamos deparar com o desenvolvimento das máquinas, que aos poucos vão eliminando os postos de trabalhos, traçando desempregos. Diante deste quadro sociológico, os trabalhadores tem uma orientação fundamentada em Nedd Luddman, que cria o que chamamos de ludismo, ou seja grupos de até cinquenta trabalhadores dão início a quebra quebra das fábricas e das máquinas, para desta forma garantir os seus empregos de volta. Com essa ação os trabalhadores passaram a receber a repressão por parte dos patrões aliados com as forças de seguranças do Estado. E disto os anarquistas passaram a compreender que o Estado só tem uma função que é o de reprimir o povo.
Dai reflexão de vários líderes dos trabalhadores, surgiu a aproximação dos movimentos de trabalhadores com o pensar do socialismo. As primeiras ações foram as elaborações de
cartas de reivindicações de direitos para o parlamento inglês, e o que vimos foi a negação deste instrumento instrumento dos trabalhadores, pois numa sociedade em que as eleições eram censitárias, o ser que não possuía bens materiais e nem dinheiros, era tido como um ser sem a devida cidadania.
Aparecem os tais patrões esclarecidos chamados como Socialistas Utópicos como Robert Owen, Saint Simon, Charles Fourieu, entre outros. eram seres que vinham com medidas socializantes, porém não dava uma resposta efetiva a todos os trabalhadores do mundo. Robert Owen, propôs a criação de uma Associação Internacional de Trabalhadores. E foi assim que nasceu a Internacional Socialista.
E após a queda da Comuna de Paris, o Movimento Operário de 1871 em Paris, numa luta de resistência da classe trabalhadora que acabaram sendo todos fuzilados, tivemos sim uma Paris alagada de sangue, e os poucos que foram para as prisões tinham gente da burguesia que ia lá para vê-los sendo executados. Embora tenha sido um movimento muito breve o papel que historicamente foi registrado é de importância vital, pra mostrar que há uma luta de classe explicita. Foram milhares de mortos pra que nós trabalhadores pudéssemos hoje refletir-se no nosso futuro e na relação que devemos tratar com a classe empregadora.
Historicamente esse momento exerceu uma grande influencia como reafirmou Vladimir Ilitch Ulianov o "Lênin". Mostrou que faltou a ausência de um partido autenticamente revolucionário, vacilaram e não aplicaram o terror revolucionário, foram remisso no esmagamento feito pelos inimigos da contra-revolução. Era preciso ter exterminados os inimigos, além do mais não houve uma aliança entre os trabalhadores urbanos com os camponeses, embora esses erros ocorreram a Comuna exerceu a influencia ou deu impulso a todo o movimento socialista por toda a Europa. E após isto sim, pode ter início a Primeira Internacional.
A Primeira Internacional segundo o historiador V. Jvolstov e I.i.Zubok, o evento teve o trabalho da primeira internacional prejudicado pelos anarquistas de Bakunin, pois lançaram uma campanha de difamação contra Marx. E como não conseguiram empolgar a direção do Conselho Geral, lançaram a luta pela autonomia das seções, enfraquecendo o papel dos dirigentes. E por isto Bakunin acabou sendo expulso juntamente com seus partidários . O Congresso recordou mais uma vez ao proletariado de todos os países o ensinamento da Comuna de Paris e, a necessidade de construir em todos os países, partidos políticos do proletário. E que a luta econômica e politica do proletariado é indissolúvel. E são esses partidos que pensam com o lado do coração, são chamados de esquerdas.
Em 14 de março de 1883 depois de uma longa e penosa doença falece Karl Marx, e num discurso pronunciado junto ao túmulo de Marx, Friedrich Engels, disse "morre, venerado, amado e chorado por milhões de trabalhadores revolucionários, cuja a imensa legião no mundo se estende por toda a Europa e América, desde as minas da Sibéria até a Califórnia, e digo que Marx teve muitos adversários mas dificilmente terá tido inimigo pessoal sua obra e seu nome viverão através dos séculos." E assim a luta de Engels passou a ser a Segunda Internacional. Mas essa é uma tarefa que abordaremos num outro contexto. Por ora ficamos com a certeza das lições da comuna de Paris, numa reflexão sempre eterna a classe trabalhadora, que necessita de grupos de estudos, que necessita da compreensão das contradições do próprio sistema capitalista, que vive em crise e se arruma nesta mesma crise, sendo que a classe que paga sempre a conta é a classe trabalhadora, pois vivemos a plena luta de classe. E toda a riqueza é construída por quem trabalha, mas que não apodera-se desta dádiva de seu trabalho apenas vive pra engordar os lucros e deixar mais ricos os patrões e os governantes. Pois todo o governo é reflexo de sua elite.
Manoel Messias Pereira
Membro da associação Rio-pretense de escritores -ARPE
Membro da Academia de Letras do Brasil -ALB
cronista, poeta, professor

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