Ato lembra morte de Luis Carlos Ruas - O ambulante assassinado no metrô
Ato lembra morte de vendedor ambulante em estação do metrô em São Paulo
- 30/12/2016 19h29
- São Paulo
Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil
Para homenageá-lo, as pessoas levaram faixas e flores e as colocaram no local onde Ruas costumava ficar com sua barraquinha para vender refrigerantes e salgados, ao lado da passarela. Também como forma de homenagem, os manifestantes puseram uma faixa onde estava escrito Luiz Carlos Ruas sobre o nome da Estação Pedro II. Eles pretendem encaminhar ao governo de São Paulo um pedido para que o nome da estação seja alterado.
O ato começou dentro da estação, com algumas falas pedindo mais segurança no Metrô – no dia em que Ruas foi morto não havia seguranças no local. Eles também condenaram a violência contra o vendedor ambulante. Enquanto o ato ocorria, a Polícia Militar monitorava o ato do lado de fora, equipada com vários carros.
Os agressores do ambulante, Alípio Rogério Belo dos Santos, de 26 anos, e Ricardo Martins do Nascimento, de 21 anos, foram presos no início da semana e admitiram o crime, mas disseram estar arrependidos e terem agido sob influência de álcool.
Crime de intolerância
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O delegado Rogerio Marques, titular da Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom), no entanto, negou que o crime tenha essa motivação. “Não há nada que leve a um crime de intolerância, que eles tenham agredido por serem homossexuais ou moradores de rua. Por enquanto não. Tem um crime bárbaro de agressão, mas não tem nada que fale que seja por intolerância”, disse ontem (29) o delegado.
“O Índio era [como se fosse] meu pai. Era muito conhecido, ajudava a gente”, acrescentou Raíssa que, apesar da perda do amigo, disse perdoar os agressores.
Milton Alves, marido da irmã do ambulante, também esteve presente no ato. “Esses dois jovens não acabaram com a nossa família. Ficou um Natal triste, mas nós ainda teremos dias felizes. Eles acabaram com a vida deles e dos parentes deles e dos amigos, se é que eles tinham.”
Ajuda a moradores de rua
O ex-morador de rua Alexandre Francisco do Carmo, 44 anos, conhecia Ruas há 12 anos. Há cerca de seis meses, ele foi convidado pelo vendedor ambulante para dividir o mesmo teto. “Ele era uma boa pessoa, trabalhador. Chegava às 5h da manhã e acordava a gente para a gente ir pegar um jornal, água ou suco para ele botar para vender. Ele nunca foi uma pessoa má”, disse.
“Eu morava perto de onde ele trabalha. Ele via que eu sabia fazer coisas, como trabalhos de encanador, pedreiro e eletricista, e ele me pedia para fazer trabalhos na casa dele. Aí eu vi que tinha um lugar desocupado e pedi para ficar lá [na casa dele]”, contou Carmo.
Segundo o morador de rua, Ruas também ajudava outras pessoas em dificuldade. “Há muito tempo atrás ele vivia ajudando a gente lá na praça. Não tinha só eu. Tinha outros mendigos que viviam lá na praça. Ele sempre foi uma pessoa boa. Não merecia isso não”, disse Carmo. “Ninguém deve morrer assim. A morte só deve vir quando Deus mandar. Mas ali não foi morte de Deus, mas proposital pela mão de dois homens, dois bárbaros”, acrescentou.
Outro lado
Na terça-feira (27), o Metrô confirmou, por meio de nota à imprensa, que não havia seguranças na estação no momento do crime. Segundo a nota, no momento em que Ruas foi espancado e morto dentro da estação, agentes de segurança faziam rondas nas estações vizinhas e foram acionados pelo Centro de Controle da Segurança. “O deslocamento das equipes levou seis minutos, momento em que a vítima começou a receber os primeiros-socorros. Os criminosos, porém, já haviam fugido”, informou o Metrô.
Procurado pela Agência Brasil, o Metrô ainda não se pronunciou sobre o ato de hoje na estação Pedro II.
Edição: Juliana Andrade
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